quinta-feira, março 02, 2006

Ai a (brin)cadeira...



No passado de fim-de-semana fui ao Festival de Jazz de Portalegre, onde assisti ao concerto da ainda deslumbrante e surpreendente Dee Dee Bridgewater. É um festival que funciona num ambiente muito simpático. Como se realiza numa cidade pequena, toda a gente anda por ali: comemos no mesmo restaurante, frequentamos os mesmos locais, cruzamo-nos nas esquinas. Músicos, jornalistas e outros convidados. Um espaço tão simpático que achei que se proporcionava levar a minha filha de ano e meio. E ela por lá andou radiante na sua constante descoberta do espaço e das palavras. Certa noite, estávamos a jantar e como de habitual a Helena divagava pelas suas explorações. De repente, olho para a outra mesa, e vejo um homem barbudo, que mais tarde vim a saber que era o endiabrado precussionoista franco-argentino de Dee Dee, com um ar assustado a repetir: “Oh-là-là!... Oh-là-là!...Oh-là-là!...”. O que se passava? A Helena estava a empurrar uma cadeira na sua direcção. Mas como ela é pequena e esconde-se por trás do encosto, o músico ficou com a sensação de que a cadeira se movia sozinha. Desfeito o equívoco, rimo-nos à gargalhada, mas por momentos o argentino terá pensado: ‘Já comi migas a mais’.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Quem passa na passadeira


Há algo estranho revelado na capa de Abbey Road que só está ao alcance do público mais perspicaz. Pois reparem: Todos atravessam a rua com a perna esquerda à frente à excepção de Paul McCartney. Porquê? Será por ser canhoto e esquerdino? Nada disso. As teorias da conspiração, amplamente fundamentadas, chegaram à conclusão de que isto se deve apenas a um trágico acontecimento: Paul McCartney morreu após a gravação do disco (terá sido atropelado?), pelo que foram forçados a fazer uma montagem. Mas, tal como nos filmes de detectives, tiveram um descuido, deixaram uma pista comprometedora. A esta rebuscada, mas lógica teoria, junta-se um outro elemento: rodando ao contrário o final do vinil há quem jure ouvir repetidamente a frase «Paul is dead, Paul is dead». Mas, sendo assim, como é que McCartney continua a aparecer até hoje? Todos nós temos pelo menos um sósia no mundo e o de Paul foi encontrado. Assim se justifica o descalabro do álbum Let it be e a relativa desilusão da carreira deste falso McCartney a solo.
Embora inferior ao anterior, Abbey Road é o último bom álbum dos Beatles. É um regresso à jovialidade do início sem perder a visão matura. É também o disco em que o baixo está mais sobressaliente (é o melhor do álbum). Mas quem é que toca baixo nos Beatles?... Sir Paul McCartney.
Legenda: a imagem original e a colagem.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Luz Branca


Os Beatles são suficientemente grandes para criarem cisões entre os seus adeptos, assim com acontece com os partidos políticos. Há fundamentalmente dois tipos de beatlomaníacos: os que vão pelo Sgt Peppers e os que vão pelo White Album. E poucos se recusarão a ver que estas são as duas grandes obras do quarteto de Liverpool. The Beatles (White Album) é um grande álbum. Disso ninguém duvida: 30 canções no único duplo da banda. Formalmente tem muitos pontos curiosos. Em primeiro lugar, preconiza uma inversão da lógica dos anteriores álbuns-conceito. É mais um aglomerado de experiências em que quase cada peça tem um valor intrínseco. É simultaneamente o disco em que os Beatles mais se parecem com os Rolling Stones e aquele que contém as experiências mais ousadas e mesmo inimagináveis. Nada mais radical do que Revolution 9 (as fãs que guinchavam nos primeiros álbuns devem ter ficado banzadas de horror). The Continuing Story of Bungalow Bill é quase Franz Zappa. É um álbum de fragmentos em que já começa a ficar fragmentada à banda: Ringo Starr deixou momentaneamente a banda nas polémicas sessões de Back in the USSR e foi Paul McCartney quem o substitui na bateria. O álbum também dá pistas certeiras para o que viria a ser a carreira a solo de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison. Prefiro o Sgt Peppers, mas este está cheio de bom génio.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

O segundo sargento


Estou de volta à viagem pela discografia dos Beatles, já na recta final. Sargent Peppers foi de tal forma paradigmático que muitas bandas seguiram o exemplo… até os próprios Beatles. Em Magical Mystery Tour não resistiram em tentar repetir a fórmula. Um álbum conceito, que funciona como um todo, que se ouve como uma novela fantástica. Um álbum encenado, com loops, cuidados instrumentais e um estilo marcado. Claro que é um subproduto, mas ainda faz parte do período mais feliz dos Beatles. É composto, na sua totalidade, por música de Lennon/McCartney. Está repleto de êxitos, daqueles que vêm na colectânea que os meus irmãos me ofereceram quando fiz 10 anos (Hello Goodbye, Penny Lane, All You Need is Love). E outros, talvez mais importantes, como I am the Warlus, Strawberry Fields Forever, Baby you’re a Richman, Your Mother Should Know ou uma bem ao estilo de George Harrison, Blue Jay Way. Magical Mystery Tour começou por ser um projecto de Paul McCartney e acabou por se tornar no primeiro álbum dos Beatles após a morte do seu carismático manager Brian Epstein. De seguida a luz do álbum branco (que na verdade não se chama White Album, mas apenas The Beatles).

segunda-feira, janeiro 02, 2006

De regresso a Lisboa

– A minha mulher é portuguesa, mas não gosta de fado. Eu gosto muito de fado, por isso não poderia deixar de vir – disse-me um catalão, que me veio cumprimentar, no final da apresentação do livro em Barcelona. Ainda ficámos a falar um pedaço. De fado, claro está. Dos novos fados. Do velho fado. Do fado de cada um.
A apresentação correu bem e eu fiquei contente. O público estava atento e livre de preconceitos. Havia portugueses e espanhóis. Não me engasguei. Consegui comunicar. Bateram palmas com o fim.
Depois fui jantar da comunidade portuguesa. Comovi-me com as histórias que ouvi. As vidas. Os instantes que mudam tudo. Como a nossa latitude nos constrói. Os acasos. Também o fado. Geralmente feliz. Embora com saudades.
– Vim de férias, encontrei um catalão e já aqui vivo há 20 anos. Sinto falta de Lisboa.
E eu que tenho saudades de Barcelona. Não apenas de visitar a cidade. Mas de viver lá. A seguir a Lisboa é a cidade que me faz sentir mais em casa. Ali, sinto-me menos estrangeiro do que no Porto ou em Coimbra. Estou em casa. Fora de casa mas em casa. Numa casa emprestada. Em casa de ninguém.
No dia seguinte, uma nova apresentação. Desta feita na Galeria da Associação Distrito Quinto. Uma apresentação informal. Uma conversa. Uma troca de impressões, com pastéis de nata e cerveja. Ouvimos fados. Conversámos sobre eles. Jantámos entre amigos. Trocámos beijinhos e dissemos adeus. Sei que vou voltar.

domingo, dezembro 11, 2005

Fado do Sol Nascente




Em escuta: Porque no fado é essencial a letra. Aqui vai um tema de Yumi Kagawa feito para o público japonês. Adivinham de que fado se trata?

terça-feira, dezembro 06, 2005

A caminho de Barcelona

Pois é, vou a caminho de Barcelona. Esta é a notícia: «O livro O Futuro da Saudade - O Novo Fado e os Novos Fadistas, da autoria de Manuel Halpern, editado pelas Publicações Dom Quixote em Novembro de 2004, vai ser apresentado em Espanha, mais precisamente em Barcelona, no próximo dia 16 de Dezembro. Trata-se de uma iniciativa do Consulado Geral Português daquela cidade que decorrerá no Auditório da "Societat General d' Autors i Editors". Na ocasião Manuel Halpern fará uma apresentação dinâmica do seu livro, ilustrada com a audição de discos e DVD de intérpretes da nova geração do Fado»

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Às suas ordens, meu sargento



E finalmente… o grande momento. Já disse aqui que, apesar de ter resolvido (re)ouvir todos os álbuns dos Beatles, não sou um beatlomaníaco, Mas sou um Sgtpeppersmaníaco. Considero mesmo que não precisavam de ter feito mais nada para ficar na história. E se me perguntassem qual é o meu álbum preferido da história do rock, hesitava entre Sgt Peppers (1967) e o álbum da banana, dos Velvet Underground. A expressão obra-prima aplica-se inteiramente. Não é por conter melodias bonitas… Por que isso é coisa que os Beatles sempre souberam fazer. É sobretudo pela roupagem e pelo conceito. E ouvindo-o, quase 40 anos depois, constata-se que é mais actual que a maioria da música que se faz actualmente. Uma revolução com claras consequências na história do pop-rock. Primeira prova disso foi a resposta rápida, no mesmo ano, dos Rolling Stones, com Their Satanic Majestic Request. Ou irónico We are only here for the Money (1968), de Frank Zappa. É um álbum perfeito com uma estrutura inteligente e uma indomável vontade de experimentar. Um golpe de génio, em parte explicado por Lucy in the Sky with Diamonds. Funciona a desconstrução, mas sem nunca perder o sentido melódico. E termina com uma das melhores canções já construídas: A Day in the Life é o momento exacto em que os Beatles superaram a sua condição humana e, por momentos, se tornaram em semideuseses ao serviço do belo.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Revolver


Se Rubber Soul é o primeiro grande álbum dos Beatles, revolver é a primeira obra-prima. Bastava terem construído este álbum para serem grandes: são 14 canções antológicas. A capacidade de composição de George Harrison atinge, muito provavelmente, o seu expoente máximo, e mostra-se com uma real alternativa ao duo maravilha Lennon/McCartney. Primeiro com Taxman – um tema satírico de intervenção política concreta –, depois com Love you to, onde introduz a cítara, fazendo uma consistente ponte ocidente-oriente (que atinge actualmente novas dimensões, com Talving Singh, Nitin Sawhney, entre outros) e ainda com Want to tell you onde de alguma forma define o seu estilo. Em Eleanor Rigby, McCartney constrói uma obra-prima em jeito de resposta a God Only Knows, de Brian Wilson/Beach Boys. E Tomorrow Never Knows é o primeiro tema da história do pop-rock a utilizar loops (a ideia foi de McCartney), brilhante e o melhor aperitivo para passo seguinte: Sgt Peppers.

terça-feira, outubro 25, 2005

Rádio fado

É uma excelente forma de divulgação do fado. Descobri esta espantosa rádio on-line que transite fado 24 horas por dia e tem um blog a condizer. Vale a pena ouvir e procurar notícias sobre fado. Um trabalho muito profissional.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Ricardo, o grande

Cabelo Branco é Saudade, assim se chama o espectáculo que devolve aos palcos o Fado com F grande. Juntam-se três vultos maiores da canção de Lisboa – Argentina Santos, Celeste Rodrigues e Alcindo de Carvalho – e a maior certeza da nova geração, Ricardo Ribeiro, que é tanto ou mais tradicionalista que todos eles. É um espectáculo de emoções fortes, para aplaudir de pé e chorar por mais. Depois do êxito no São Luiz, está de volta ao São João, de 3 a 5 de Novembro. Já estão marcados espectáculos para Madrid e Paris, em 2006, e espera-se a confirmação de uma tournée, que passa por Torres Novas, Guarda, Funchal, Vila Real, Ponta Delgada, Aveiro, Bragança, Faro, Bordéus, Reins, Bruxelas… Vale a viagem.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Alma de borracha

Estava exasperado, a gritar por ajuda, quando ouvi Rubber Soul (1965). Eu estava convencido que a parte mais interessante dos Beatles só começava em Revolver, mas enganei-me. Rubber Soul é o perfeito álbum de transição, entre as colectâneas de singles e algo mais (ainda não um conceito). Mas, na verdade, se Help! Continuava cheio de singles (Ticket to Ride, Help!, Yesterday…), em Rubber Soul a música mais conhecida é Michelle, que nem sequer está na colectânea de 20 êxitos dos Beales que os meus irmãos me ofereceram quando fiz 10 anos.
A avaliar pela lente escolhida para a fotografia da capa, este álbum coincide com as primeiras experiência com ácidos. Está cheio de surpresas. Quando se diz que os Blur, os Oasis e outras bandas da brit-pop recuperaram os Beatles, não se está a falar, obviamente, do Love me do. Essa sonoridade contemporânea começa a encontrar-se aqui. Sobretudo numa excelente canção de George Harrison chamada Think For Yourself. Mas há mais. A influência árabe de Norwegian Wood e outras boas canções como Nowhere Man, If I Needed Someone e The Word. Girl poderia ter sido composto por Elvis Costello. E Run for your live tem uma letra desconcertante. É o primeiro bom álbum dos Beatles.

terça-feira, outubro 18, 2005

Help!


Se alguém me acompanhar nesta cruzada de ouvir todos os álbuns dos Beatles de enfiada, chegará também à conclusão, que esta é a altura exacta para gritar Help!!! Help (apenas com um ponto de exclamação), o quinto álbum da banda, é o momento em que chegam à mais perfeita fórmula de sucesso: do álbum como colectânea de singles. Entre outras, aqui se juntam Help!, Ticket to Ride e Yesterday!. Acho graça a You’ve got to hide your love away – que entendo como uma homenagem a Bob Dylan. E, acompanhando a evolução, nota-se que – por estranho que hoje possa parecer – Yesterday é a grande novidade. Uma balada fora do baralho, da autoria de Paul McCartney, interpretado com orquestra – nada tem a ver com o resto do disco nem com a carreira dos Beatles até então. De resto é prontamente contrabalançada com o tema seguinte: uma rockalhada – Dizzy Miss Lizzy, de Larry Williams.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Não sou um Beatlomaníaco II

Prossigo a minha missão. Ouço a discografia dos Beatles de ponta a ponta por ordem cronológica: vou em A Hard Day’s Night e For Sale, de 1963 e 1964, respectivamente. E cada vez mais estou convencido que o ideal teria sido ouvir por ordem alfabética inversa. Ou seja: Yellow Submarine, With the Beatles, White Album, Sgt. Peppers, Revolver,… E se assim o fizesse, A Hard Days Night ficaria para o fim.
É um disco muito importante, porque é o primeiro exclusivamente composto por Lennon e McCartney. E é também por esse motivo que está recheado daqueles êxitos tão orelhudos, que me fazem deitar fumo pelas orelhas. O pop é mesmo isto. O curioso é que, ao que parece, no álbum seguinte arrependeram-se da experiência e recuperaram a fórmula anterior: originais intercalados com covers de Chuck Berry, Budy Holly, entre outros. É um sinal de insegurança da dupla de compositores mais segura de toda a música pop. Em resumo diria que, apesar de já não conseguir ouvir A Hard Day’s Night e Can’t By me Love, A Hard Days Night é o mais importante e o melhor álbum do início dos Beatles. For Sale, um inesperado retorno à incerteza. Ainda se faz a pergunta: será que os Beatles um dia vão ser alguém?

segunda-feira, setembro 26, 2005

Fado - quiz 1

Teste os seus conhecimentos em fado
  1. Qual foi o primeiro poerta erudito que Amália cantou?

  2. Camões
    Fernando Caldeira
    Guerra Junqueiro

  3. Quem produziu os prineiros discos de Camané?

  4. António Chainho
    Jorge Fernando
    José Mário Branco

  5. Nome de uma fadista espanhola...

  6. Martirio
    Maria de Jesus
    Névoa

  7. Como se chama o guitarrista de Cristina Branco?

  8. Carlos Castelo Branco
    Cláudio Castelo
    Custódio Castelo

  9. Em que cidade nasce Mísia?

  10. Barcelona
    Madrid
    Porto

  11. Como se chama a irmã de Amália, que também é fadista?

  12. Celeste Rodrigues
    Deolinda Rodrigues
    Patrícia Rodrigues

  13. Em que casa de fados canta habitualmente Ana Moura?

  14. Bacalhau de Molho
    Luso
    Sr. Vinho

  15. Em que sala de concertos Joana Amendoeira gravou um concerto?

  16. Casa da Música
    Coliseu dos Recreios
    São Luiz

  17. Em que livro de Camilo Castelo Branco uma personagem é fadista?

  18. A Queda de um Anjo
    Amor de Perdição
    Eusébio Macário

  19. De que morreu A Severa?

  20. Assassinada pela família do Conde Vimioso
    De indigestão, após uma ceia de borrachos
    Suicidou-se após o Conde a ter abandonado

sexta-feira, setembro 23, 2005

ÚLTIMA HORA: NICK CAVE É O MAIOR. GANHOU 10 A 4 AOS SISTERS OF MERCY

12 GNR e um PSP

Há bandas complicadas. OS GNR conheceram 12 formações ao longo da sua história. E o Toli César Machado é umaespécie de Sá Pinto dos GNR, só lhe falta comer a relva. Eis as formações:

Vítor Rua, Alexandre Soares e Toli César Machado
Vítor Rua, Alexandre Soares, Toli César Machado e Mano Zé
Vítor Rua, Alexandre Soares, Toli César Machado e Miguel Megre
Vítor Rua, Alexandre Soares, Toli César Machado, Miguel Megre e Rui Reininho
Vítor Rua, Toli César Machado e Rui Reininho
Vítor Rua, Toli César Machado, Rui Reininho e Nuno Rebelo
Toli César Machado, Rui Reininho, Jorge Romão e Alexandre Soares
Toli César Machado, Rui Reininho, Jorge Romão, Alexandre Soares e Manuel Ribeiro
Toli César Machado, Rui Reininho, Jorge Romão e Alexandre Soares
Toli César Machado, Rui Reininho, Jorge Romão e Zézé Garcia
Toli César Machado, Rui Reininho, Jorge Romão e Alexandre Manaia
Rui Reininho, Toli César machado e Jorge Romão

terça-feira, setembro 20, 2005

Muda aos cinco, acaba aos dez

O inquérito está ao rubro. Setea três ganha o Nick. Muda aos cinco acaba aos dez. Note-se que é impossível votar duas vezes através do mesmo computador. Afinal de conta, este é um estudo sério!

quinta-feira, setembro 15, 2005

Não sou beatlomaníaco




Não sei se por carolice se por masoquismo, resolvi (re)ouvir todos os discos dos Beatles por ordem cronológica (por ordem alfabética também seria interessante). Ainda é uma catrefada de álbuns. Para mim, que não sou um beatlomaníaco, é um exercício entre o estimulante e o exasperante, com uma ânsia permanente: quando é que chega o Sgt Peppers?. Para já vou nos dois primeiros: Please, please, please me e With the Beatles, ambos de 1963. Álbuns curtos com muitas canções. Fica a sensação de que cada suspiro é um hit fácil e que os temas da imbatível dupla Lennon/McCartney sobressaem em relação às várias versões (à excepção de Twist and Shout). Ou seja, a descoberta da mais famosa dupla de compositores, numa fase ainda muito adolescente e ingénua. Aliás, convém não esquecer que vivia-se a idade de ouro dos singles e a imposição de lançar um álbum, após o sucesso estrondoso das canções traduziu-se numa concentração desses singles e apressada criação de alguns outros. Gosto particularmente de I saw her standing there.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Re: Sisters of Mercy


Às vezes distraio-me e só há pouco me apercebi do que sobre mim foi escrito no Límpida Medida. Um daqueles elogios que, mais do que envaidecido, me deixa constrangido e embasbacado. Obrigado, pá! Espero não te desiludir e sinto essa responsabilidade.
E agora sobre os Sisters of Mercy da estória do
Imago: não confundir as personagens com o autor embora eles se confundam. Devo dizer que também já dancei ao som dos Sisters, embora nunca tenha abraçado a onda gótica. Dança-se da seguinte forma: (1) desatarraxa-se a lâmpada com as duas mãos (não se pense que é uma lâmpada vulgar de 100 watts), (2) pousa-se a lâmpada no chão e (3) dança-se à volta da lâmpada com cuidado para não se partir. Tudo isto deve ser feito com um ar sério, compenetrado e aluado. Basta um pequeno sorriso para que o ritual perca toda a credibilidade (também não se riem quando vão à missa, pois não?)
Até tem graça. Mas o Nick Cave é de outra dimensão.

Blur ou Oasis?



Se ainda está alguém desse lado, peço desculpa pela prolongada ausência e espero que não tenham visitado o site diariamente na ânsia de um post (eu sei que os meus posts são particularmente inteligentes, mas não vale o trabalho). O que se passou foi que estive de férias e tal, e quando voltei tinha muito trabalho e tal. Enfim, agora estou de volta. E estou de volta também com uma nova história no site do
Imago e com a pergunta «o que faz um sampler dos Oasis na música dos Blur?».

quinta-feira, agosto 04, 2005

Este não é o Nick Cave?


O que é que o Nick Cave está fazer neste blog? Bem, o Paulo Bragança dizia que o Nick Cave é um grande fadista. Mas não é esse o motivo. Fui convidado para escrever na página do Imago. Resolvi fazer umas ficções pop, com samplers de várias música. Um conceito a explorar. Para ver o primeiro basta seguir por aqui www.imagofilmfest.com/cronistas/cronicas.html

terça-feira, agosto 02, 2005

De sex symbol a voice symbol



Tudo começa com um choque estético. Quem guarda a imagem da sex symbol e vê Marianne Faithfull a entrar em palco, arrisca-se a ficar com o queixo caído durante alguns minutos. Ela está balofa. E parece uma daquelas entardotas inglesas que passam as férias no Algarve em busca de aventura. Quando se ouve a voz é um descanso. Faithfull mudou fisicamente, mas continua fiel às suas características vocais. Cantou muitos clássicos e alguns temas mais recentes, de PJ Harvey, Nick Cave, Damon Albarn, entre outros. Antes assim. Que a estética da voz perdure, enquanto o corpo se envelhece e se balofa. Afinal é de uma cantora que se trata. Um belo concerto.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Requiém para dois jornais extintos


Sobreviveu ao regicídio, à implantação da república, à chegada do estado novo, ao 25 de Abril. Morreu com a difícil conjuntura económica internacional de 2005. Era Napoleão que afirmava temer menos um exército inimigo do que uma corrente de ar pelas costas.
Com o encerramento d’A Capital e do Comércio do Porto, mais 90 jornalistas entraram no desemprego. Conheço alguns. Raios partam os galegos e as sinergias.
Foi o capital quem tramou A Capital.


quinta-feira, julho 28, 2005

Oh pá, és muita linda!




Em escuta: A mais linda mulher, por Júlio Peres, sobre a marcha de Alfredo Marceneiro.



Júlio Peres é aqui acompanhado de forma soberba por Carlos Gonçalves. Mas, mais uma vez, o que chama a atenção é a letra, de poeta desconhecido. Deveria ser feita uma investigação capaz de deslindar o autor desta pérola. A letra é fabulosa do início ao fim, mas eu destaco o início: «Fez-te linda a natureza, não te deu só defeitos, és um supremo primor».
G’anda piropo, tipo «Oh linda, o teu pai devia ser escultor!»
Mas depois logo espeta a farpa. A gaja é boa, mas não tem coração. Não se pode ter tudo.
Pelo meio, entre o cofre do nosso peito e outras metáforas eficazes, compreende-se o drama através de uma brilhante alegoria póetica: «Corre água limpa na fonte nasce pura e cristalina, quem a suja é quem lá vai». A mulher se não prostituta para lá caminha.
Mas termina em grande, com uma conclusão feliz, em que o autor se revela um gentleman, com uma verdades que todos intuímos, mas poucos sabem verbalizar: «A mais formosa mulher, a mais linda é sempre aquela de quem nós gostamos mais». Ah fadista!

quarta-feira, julho 27, 2005

Enigma

Enigma: Porque motivo sempre que um fadista se afasta do fado a crítica em geral aplaude?
Chave: A crítica em geral não gosta de fado.

segunda-feira, julho 25, 2005

Não vou gastar tinta contigo



Em escuta: Carta sem Resposta, interpretado por Mariana Silva, sobre Fado Margarida



O tema em escuta é uma pérola inserida na excelente colectânea organizada por José Manuel Osório para a Visão. É cantado sobre o fado Margarida (composto por Miguel Ramos) e interpretado por Mariana Silva. Mas o que mais chama a atenção aqui é a letra de Artur Ribeiro. Uma fadista mal-disposta que diz que «não tenho nada que responder» e «não vou gastar tinta contigo». O tipo deve-lhe ter feito das boas e depois ainda lhe manda uma carta, como quem põe paninhos quentes. Mas ela não está para meias tintas: ora toma! Fica a carta sem resposta e agora vou cantar o fado!

quinta-feira, julho 21, 2005

O telemóvel saltitão


Fiquei num camarote com duas jovens desconhecidas que poderiam ser familiares da Pilar Homem do Mello, embora mais novas: na linha beta rebelde que ama o Brasil, terra onde os pais viveram depois da revolução. Bastante simpáticas. Até abriram alas para que eu e a i conseguíssemos ver alguma coisa entre as suas perfumadas cabeças. Uma delas era fã da Bethânia a outra, mais tímida e mais bonita, apenas a seguia sem jeito, procurando acertar no momento de aplaudir. Cosia que não só raramente acontecia como era absolutamente dispensável, não só para ela como para todos os outros espectadores numa área de 20 metros, já que a fã conseguia retirar um som invulgarmente alto daquele acto tão singelo de bater com uma mão na outra. Não me incomodou. Poupou-me os dedos tão preciosos para trabalhar e escrever palermices neste blogue.
Não foi isso o que mais me impressionou. Às tantas, a Bethânia cantou um clássico do Chico, um daqueles que ela interpreta sublimemente (melhor que o próprio Chico). Por momentos a fã quase perdeu o ar – virou-se para o lado procurando a cumplicidade da amiga que prontamente acenou concordando que aquele era um dos momentos mais altos da sua vida, que a Bethânia era o máximo, «não acredito!...». E depois, subitamente, sacou do telemóvel (a amiga imitou-a) e desatou a enviar uma mensagem para alguém (possivelmente o namorado) que eu não li, mas calculo que dissesse qualquer como «nem vais acreditar, a Bethânia está a cantar o Chico Buarque, estou a delirar, …». Ou seja, preferiu enviar uma mensagem, a simplesmente gozar aquele momento especial. Imagino que quando for para a cama com o namorado também envie uma mensagem à amiga a dizer: «Não vais acreditar, o Zé está fazer-me um m…».
A situação irritou-me profundamente. Até porque me distraiu do espectáculo e daquela maravilhosa interpretação do Chico. Não estive para meias medidas. Peguei no telemóvel da garota e atirei-o camarote a baixo, por pouco não acertando no operador de luzes. Ela ficou furibunda e saiu porta fora disposta a recuperar aquele objecto saltitão. A amiga seguiu-a. Eu tranquei a porta mal elas saíram, mudei-me com a i para a fila de frente e desfrutei tranquilamente do resto do concerto. Ou assim tomara eu ser. Saravá.



Sophia yeahhh, Camões iiióóó


Um dos momentos mais caricatos do concerto da Bethânia foi quando ela começou a fazer a bênção ao velho estilo do compadre Vinicius. Às tantas disse com naturalidade a bênção para o grande Fernando Pessoa.
O público entrou em histeria, não só dando o seu aplauso, como gritando uuhhhh uhhh uhhhhh, com assobios e gritos.
A seguir falou em Sophia, e a recepção foi de semelhante dimensão.
Achei no mínimo patusca esta Coisa do Pessoa uhhhh uhhhh, Sophia yeahh, Camões iiiióóóó.

Saravá Maria Bethânia


Fui ver o concerto da Maria Bethânia e confirmei aquilo que já sabia. Ao contrário do que muita da malta do fado está convencida, a saudade não é património exclusivo do fado. Nem sequer é património da lusofonia. A palavra sim, o significado não. Bethânia emana saudade. Canta esplendorosamente. Claro que não gosto de tudo. E em algumas fases da sua carreira mais valia ter estado calada (tem coisas terríveis), mas em concerto interpretou sobretudo o seu melhor cancioneiro: o de Vinicius de Morais. Saravá. Gosto de ver Bethânia a cantar rock - Raul Seixas no caso - é sempre uma inesperada transfiguração. E a oscilar entre a comoção e a acção. A feia mais bonita do Brasil estava linda. Saravá.



quarta-feira, julho 06, 2005

Piaratas e Corsários IV

Um em cada três discos vendidos em todo mundo é uma cópia pirata, são estes os dados revelados pela Federação Internacional da Indústria Discográfica, segundo li no Trolaró do Nuno Galopim, no DN Mais. E no Paraguai, país que exporta pirataria para toda a América Latina, a percentagem de cópias ilegais é de 99 por cento. Se acrescentarmos a estes os números dos downloads gratuitos na Internet, compreendemos bem os motivos da preocupação da indústria. Trava-se uma luta em várias frentes. As discográficas batalham contra uma indústria paralela e ilegal em expansão e contra os consumidores que, legitimamente, ambicionam poder adquirir bens culturais a um preço mais acessível. Não entendendo estes que, ao não comprarem discos dos artistas de que gostam, podem estar a inviabilizar futuras edições discográficas (sobretudo quando se tratam de pequenas editoras) e, nesse sentido, estão a prejudicar-se a si próprios, restringindo o mercado ao mainstream (no pior dos cenários). Porque sem dúvida que os parentes pobres, os mais prejudicados, são os artistas e as editoras independentes. O que fazer?
Não só as editoras, mas também os artistas têm que se adaptar às novas circunstâncias: a venda de discos significará uma fatia cada vez menor dos seus rendimentos. Os concertos cada vez mais terão um papel decisivo. Lentamente, o disco servirá, sobretudo, de chamariz para os espectáculos. E, neste sentido, as edições piratas não prejudicam assim tanto os artistas, uma vez que divulgam mais a sua obra e criam mais espectadores para os concertos. É por esse motivo que, no estrangeiro, algumas editoras, numa medida de legitimidade duvidosa de autodefesa, passaram a cobrar uma percentagem sobre os espectáculos dos seus músicos.
Cada vez mais há a noção que o CD tem os dias contados e os formatos electrónicos vingarão. Contudo a adaptação a um formato impalpável pode não ser fácil para todos. Sobretudo para uma geração à qual a informática chegou tardiamente. Mesmo para os outros, estes novos meios põem as noções ancestrais de posse. Enfim, quem diria que em pleno capitalismo, a sociedade da informação poderá estar a criar gerações desprendidas.

terça-feira, junho 21, 2005

Piratas e Corsários III

Vivemos no mundo do cada um por si, numa sociedade de gatos e de ratos, em que as noções básicas de preocupação com o próximo são postas em causa. Pelo menos, é o que se diz. Ora no meio deste mundo atroz desenvolvem-se os programas de partilha de ficheiros, como os referidos no número anterior (Shareaza, E-mule, Bittorrent,…). Este software obedece a uma lógica de solidariedade que, de forma não deliberada, se aproxima de noções básicas de comunismo, anarquismo ou cristianismo. Porque estes programas só existem porque um incontável número de navegadores oferece os seus ficheiros para partilha, seguindo a máxima: «Faz aos outros o que gostavas que te fizessem a ti».
Em alguns sites, a troca é exigida. Ou seja, quem não contribui para a comunidade não pode beneficiar dos seus bens – uma lógica de contrapartida que lembra o comunismo. Outros não têm esse carácter obrigatório, funcionam à base de altruístas, indivíduos que acreditam numa fraternidade global, sem obrigações – pode-se confundir com anarquismo (funcionar sem imposições) ou cristianismo (por amor ou próximo sem esperar nada em troca).
Estas comunidades na Internet, perseguidas pelas editoras, que também têm o seu ponto de vista, funcionam e deveriam ser exemplares para a sociedade. Aliás, quantos problemas do mundo ficariam resolvidos se fosse possível fazer downloads de batatas, leite, carne, fruta, cereais…?
Não se descarregam espécimes, mas descarregam-se programas. E, muitas vezes, com os respectivos cracks ou números de série – as chaves que permitem o acesso gratuito. Isto mesmo para alguns programas de preços exorbitantes, como 400 ou 500 euros.
Nestes casos funciona pelo trabalho de um hacker, um pirata informático que trata de desbloquear o programa e gentilmente o oferece ou ensina o truque. Normalmente os programas crackados vêm com as instruções dissimuladas: é necessário, por exemplo, abrir um ficheiro com terminação dll com o Notepad. O mais curioso é que, muitas vezes, antes das instruções, o hacker faz um discurso ideológico, em que diz qualquer coisa deste género: «Este software deveria ser gratuito, ajude-nos a lutar contra o imperialismo da Microsoft!». Não serão estes foras-da-lei os Robin dos bosques ou Zés do Telhados dos nossos dias?

Piratas e Corsários II

Contam-nos em casa uma discoteca de milhões de discos, que representam uma considerável percentagem da produção mundial de música dos mais diversos estilos, à frente dos nossos olhos e ao alcance das nossas mãos. E depois informam-nos que, apesar de não estar nenhum polícia sentado no sofá, é ilegal ouvir. E é suposto portar-nos como escuteiros ou fariseus, ficar a salivar e cegamente obedecer à mais estúpida das normas. Este é o actual cenário dos downloads de MP3. Uma lei feita para não ser cumprida.
Há basicamente dois tipos de sites para descarregar MP3 da Internet: os pagos e os gratuitos. Nos pagos é garantida comodidade, rapidez e segurança. E muitos deles proporcionam álbuns recentes a preços imbatíveis. Os gratuitos são lentos e perigosos, pelo que convém ter paciência para esperar (às vezes dias) e instalar um antivírus e um antispyware eficaz. E mesmo assim corre-se sempre algum risco.
Estes são alguns dos melhores programas de partilha de ficheiros gratuita: Shareaza (www.shareaza.com), emule (www.emule.com), Bittorrent (www.bittorrent.com) ou Soulseek (www.slsknet.org). Nestes endereços pode-se fazer o download dos programas, através dos quais se buscam os ficheiros.
As faixas dos CD originais são gravadas em Wave, que é um formato de alta qualidade e grande dimensão (8,75 megabytes por minuto). O MP3 é um formato compactado de música, com qualidade e dimensão inferiores e variáveis. Ou seja é um produto pior, assim como as cassetes eram piores que os CD. Contudo, se o MP3 estiver gravado a 128 kbits/s ou mais, não é perceptível a perda de qualidade em aparelhagens vulgares. Já muitos dispositivos lêem MP3, mas quem quiser ter determinado disco 100% compatível, tem sempre boa solução: usar um programa de conversão de MP3 em Wave. Muitas vezes os ficheiros aparecem compactados, de forma a ocupar ainda menos espaços, pelo que é necessário usar o Winzip ou o Winrar.
Estes programas não servem apenas para a música, mas para descarregar qualquer tipo de ficheiro: filmes, imagens, programas, texto,… No caso dos vídeos, o AVI e o DIVX são equivalentes ao MP3. Contudo a falta de qualidade das imagens faz-se mais regularmente notar. O Napster, o famoso programa de partilha de ficheiros, foi encerrado e, mais tarde, reformulado. Mas o seu encerramento só provocou a abertura de um sem número de sucessores. Muitos deles estão debaixo do olho das editoras e dos tribunais. Mas parece impossível evitar a reprodução e a indústria ainda não se soube adaptar a esta nova realidade.

sexta-feira, maio 20, 2005

Piratas e corsários I

Na secção O Homem do Leme, do JL, vou iniciar uma série de artigos sobre a pirataria. Anetecipo aqui o primeiro:



Para quê comprar um disco quando se pode fazer uma cópia ou um download gratuito na Internet? Esta é a pergunta para a qual milhões de cibernautas em todo o mundo não encontram resposta. Se no que toca à Literatura, a alternativa digital ainda se afigura pouco atraente, no caso da música o problema não se põe: para o utilizador comum, não faz grande diferença ouvir música baixada da Internet em vez de num CD original. Menos diferença faz substituir um original por um disco pirateado. Isto provoca a falada crise no mercado discográfico, que prejudica obviamente os artistas e por consequência os ouvintes.
No tempo do vinil era comum gravar álbuns em cassetes, sem que isso provocasse grande celeuma entre as discográficas, porque estava claro que a cassete gravada era um produto de qualidade inferior. Quando apareceu o CD, as editoras praticaram preços elevadíssimos, como se fosse um produto de luxo. Os CD começaram por ser mais caros do que os vinis: o que é um absurdo, atendendo à diferença de preços de custo. Ou seja, as editoras aproveitaram-se da novidade tecnológica, e das óbvias vantagens que traz aos consumidores, para estender bastante a margem de lucro. Só muito recentemente os preços começaram a baixar e a ritmo lento, devido à pirataria.
Perante isto, a indústria tem um défice de moralidade para exigir que não se pirateie. O consumidor pode, eventualmente, responder com o ditado: «Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão». Por outro lado, por absurdo, a alternativa à cassete (o mini-disc, o CD-R, o MP3) revelou-se demasiado eficaz para ser tolerada.
Simultaneamente, uma aparente contradição: uma marca como a Sony, ao mesmo tempo que edita discos e se manifesta contra a pirataria, vende CD-R e gravadores de CD. É como um governo que distribui canas de pesca, apresenta um lago cheio de peixes, mas proíbe pescar.
Por outro lado, o vinil é um objecto único e bonito, pelo que é cultivado por muitos coleccionadores. Ninguém se lembra de coleccionar CD, pela mesma razão que ninguém se lembra de coleccionar cassetes de vídeo, porque são objectos frios, esteticamente desinteressantes, isto apesar do esforço recentemente feito para o contrariar: com digipacks e outros formatos criativos que substituem as caixas de plástico. Todavia na música pop (o mesmo não se verifica na música clássica) há ainda pouco cuidado com os conteúdos dos booklet. A informação é muito reduzida. Tenho um amigo que faz as capas das suas cópias com grande gosto estético e no booklet inclui a bibliografia da banda e as críticas ao disco que mais gosta. Ou seja, fica com um objecto superior ao original.
É ingénuo e quase ridículo as editoras exigirem que os consumidores não pirateiem, sem que ofereçam alternativas. O que as editoras devem fazer é, além de baixarem os preços, criar produtos originais de qualidade superior e difíceis de imitar.

quarta-feira, maio 18, 2005

A taça é nossa!

O fenómeno dos fãs de futebol deve vir bem lá do norte. Que sentido faz andar por aí, neste Maio quente, com um cachecol enrolado ao pescoço e um gorro enfiado na cabeça como se vivêssemos no pólo norte? No caso dos adeptos do Sporting faz parte do espírito de sacrifício - queremos suar juntamente com a equipa. E, logo à noite no Estádio, hão-de estar os bons milhares, orgulhosamente com o gorro enfiado na tola, resisitindo heroicamente à vontade de o tirar, apesar das gotas de suor que escorregam pela cara, confundindo-se com as lágrimas da emoção prvocadas pelos golos que o Sporting vai marcando. Sorte a nossa que os beefs não se tenham lembrado de apoiar o seu team com gabardines e sobretudos. Moral da história: mantenham os gorros bem enfiados na cachimónia e um cachecol atrelado ao pescoço (ou, em alternativa, erguido como se fosse uma bandeira) que a taça é nossa!

terça-feira, maio 17, 2005

Aulas Práticas de Fado

A colecção de discos-livros organizada pelo José Manuel Osório, que está a sair com a revista Visão, é uma notável ferramenta de trabalho. Este grande investigador e fadista fez uma recolha assinalável. Vai explicando os vários fados, começando pelos três que estão na origem de todos os outros -- o menor, o corrido e o mouraria - dando exemplos, contando a sua história. No fundo, são aulas práticas e portáteis dadas por um grande mestre.

A capa que vêem do lado esquerdo é a do meu livro O Futuro da Saudade. Não sei muito bem explicar porque motivo o livro tem duas capas. Ou melhor, tem uma capa e uma sobrecapa. A capa é um desenho do José Manuel Saraiva. A sobrecapa é uma composição de oito fotografias de fadistas, em formato polaroid . Na maior parte das livrarias está com a sobrecapa. Eu gosto mais da capa. Quem for da mesma opinião pode sempre deitar fora a sobrecapa e ficar com uma capa lindíssima, que calha bem em qualquer estante.

segunda-feira, maio 16, 2005

O meu blog é melhor que o teu

Não acho o meu umbigo particularmente bonito. É um buraco que tenho escavado no centro da barriga, bem côncavo, que nem sequer tem um piercing para lhe dar graça. Enfim, é um umbigo como os outros. Se crio um blog não é por me ter deixado envaidecer pelo meu umbigo, mas apenas por uma necessidade complementar de comunicação. E de feedback. Por isso, pergunto: está alguém por aí?